No dia em que escrevo isto, Naomi Replansky tem 101 anos e vive em Nova York com sua esposa, Eva Kollisch, de 95 anos. Antes da quarentena, costumavam fazer longas caminhadas todos os dias. Naomi sobreviveu à Gripe Espanhola, ao nazismo e aos preconceitos. É uma poeta premiada, foi amiga e tradutora de Brecht. E olha só que beleza de poema (na tradução de Clara Allain):
“Quando vivo no corpo a corpo
Nua no mercado me coloco.
Quando lá estou e não sou vendida
Faço uma fogueira para me dar guarida.
Quando o frio não arrasa em demasia.
Salto da emboscada para minha alegria.”
(esta publicação foi baseada na matéria “Sobreviventes do Holocausto encaram coronavírus”, de Ginia Bellafante, publicada na Folha de São Paulo em 2/4/2020)