Descobri que alucinação vem do Latim: alucinari, “vagar mentalmente, sonhar, divagar”. Na minha etimologia imaginária, viria de luz, pois o céu de Itacambira me pôs a sonhar e a acreditar na existência de Diadorim. Mas…
DIÁRIO DO SERTÃO – DIA 11 – PÃO…
Brincava com meus alunos perguntando qual é a maior aspiração do homem (e da mulher). Ficavam atônitos quando respondia ser café com leite e pão com manteiga. Parece pouco, mas significa que você está vivo…
DIÁRIO DO SERTÃO – DIA 10 ITACAMBIRA –…
O dia amanheceu nublado e frio em Grão Mogol, mas os meus arrepios vinham de saber que estava indo para a terra de Diadorim, Itacambira. Diadorim é o grande mistério do livro. É uma personagem…
DIÁRIO DO SERTÃO – DIA 9 – A…
Adoro acordar antes do sol, sobretudo em viagens. Se for para ficar na cama dormindo, a daqui de casa é bem confortável. Ontem tinha sido um dia cansativo com as idas e vindas entre Grão…
DIÁRIO DO SERTÃO – DIA 8 – BOTUMIRIM…
Um daqueles típicos dias de viagem: você não acha o que procurava e encontra o que não imaginava. Acordei às cinco e lá fui eu escrever um diário atrasado. O melhor de estar em um…
O CHÃO QUE NOS PISA
No mundo, uma em cada seis crianças está fora da escola. Na China, há um imenso campo de "reeducação" para um milhão de pessoas da etnia Uighur e de outras minorias muçulmanas, forçadas a renegar…
DIÁRIO DO SERTÃO – DIA 7 – GRÃO…
DIÁRIO DO SERTÃO - DIA 7 GRÃO MOGOL – A CIDADE DE PEDRA Sétimo dia de viagem. Depois do café, esperei uns minutos para sair de São Francisco em horário rosiano, às seis horas e…
DIÁRIO DO SERTÃO – DIA 6 – SÃO…
DIÁRIO DO SERTÃO - DIA 6 SÃO FRANCISCO, A CIDADE Parti de Urucuia antes do sol nascer. O burrinho pedrês iria enfrentar seu desafio maior: setenta e três quilômetros de estrada de terra.…
BUMERANGUE
BUMERANGUE Da última vez não vieste mandaste o corpo no papel de carne Busquei teu olhos vagavam distantes outros planos inacessíveis O que dizia voltava bumerangue silencioso aos meus ouvidos Além da alegria o tempo…
HISTÓRIAS DO ALVITO – AINDA PULSA
AINDA PULSA Três jovens historico-sociologicamente negros do Complexo do Alemão invadem o vagão do metrô empunhando... violinos... Não satisfeitos, tocam de forma impecável um techo de Vivaldi subjugando violentamente o coração da plateia encantada. Antes…
DIÁRIO DO SERTÃO: DIA 5 – O SERTÃO…
DIÁRIO DO SERTÃO: DIA 5 O SERTÃO É DO TAMANHO DO MUNDO Não sei se o Urucuia é o centro do mundo. Para um rosiano, de qualquer forma, o rio é o centro do sentido…
DIÁRIO DO SERTÃO: DIA 4 – DOMINGÃO EM…
DIÁRIO DO SERTÃO: DIA 4 DOMINGÃO EM URUCUIA Na noite anterior, precisava caminhar um pouco depois de me empanturrar de iscas de peixe e batatas fritas. Segui pela avenida principal (e única) da cidade e…
DIÁRIO DO SERTÃO – DIA 3: NO URUCUIA,…
DIÁRIO DO SERTÃO – DIA 3 NO URUCUIA, APRENDENDO COM CARI Da primeira vez que estive diante do rio Urucuia, viajando com meus amigos Gustavo e Yan, logo me banhei em suas águas. Foi o…
DIÁRIO DO SERTÃO – DIA 2: “URUCUIA? PRAZER.…
DIÁRIO DO SERTÃO - DIA 2: “URUCUIA? PRAZER. MEU NOME É JÉSSICA” (Andrequicé – Urucuia) Dormi bem na Pousada de Dona Olga. Aos oitenta anos ela ainda faz a cama dos hóspedes e cuida para…
DIÁRIO DO SERTÃO – DIA 1: “SERTÃO: É…
DIÁRIO DO SERTÃO - DIA 1: “SERTÃO: É DENTRO DA GENTE” (Rio - Andrequicé) Grande sertão: veredas é um livro feito de viagens, ou de travessias, como prefere dizer o velho fazendeiro que narra a…
MIRAGENS ROSIANAS
MIRAGENS ROSIANAS Marcos Alvito O maior amigo do homem é o freio de mão. É o que você aprende ao chegar de carro a Belo Horizonte. Sair das retas filosóficas do sertão para o freia-e-anda…
METAFÍSICA DA BOLA
METAFÍSICA DA BOLA Na verdade, do futebol. A FIFA anunciou uma série de mudanças, numa fúria incessante de inovação de um jogo que vem dando certo desde a sua primeira codificação em 1863.…
O DRUMMOND NOSSO DE CADA DIA – A…
A FLOR E A NÁUSEA Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias espreitam-me. Devo seguir até o enjoo? Posso, sem armas, revoltar-me? Olhos sujos no…
O DRUMMOND NOSSO DE CADA DIA – PROCURA…
Não faças versos sobre acontecimentos. Não há criação nem morte perante a poesia. Diante dela, a vida é um sol estático, não aquece nem ilumina. As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam. Não…
O DRUMMOND NOSSO DE CADA DIA – CONSIDERAÇÃO…
CONSIDERAÇÃO DO POEMA Não rimarei a palavra sono com a incorrespondente palavra outono. Rimarei com a palavra carne ou qualquer outra, que todas me convêm. As palavras não nascem amarradas, elas saltam, se beijam, se…
VIVEIROS DE CASTRO – O fim da história…
"O mundo visto então - melhor, vivido - a partir daqui, do 'centro da 17: ecologia', do coração indígena dessa vasta e ilimitada Terra cosmopolítica onde se distribuem nomadologicamente as inumeráveis gentes terranas, e não…
ROSIANA 083 – Os catrumanos e a visão…
"O sertão comparece, neste romance, como o substrato que fundamenta a fabulação ficcional. A partir daí, e desenvolvendo os caminhos possíveis, o escritor chega até a vislumbrar, receoso, um rumo de transformação assustador. Em bela…
CHALHOUB – Helena nos lança no bojo dos…
"Nada disso, todavia, era ainda o melhor de Helena. Se nos capítulos iniciais do livro Machado descrevera a ideologia senhorial e explorara as tensões internas à classe dominante, com Helena ele nos lança no bojo…
ESTUDOS PROUSTIANOS – Proust e seu ciúme da…
"Proust contou à mãe outro sonho, em 8 de setembro de 1901: sonhou que segurava a barriga do excesso de peso adquirido durante as férias para mostrá-la à mãe, como um balão. Como se quisesse…
SENTIMENTO DO MUNDO – A apropriação do território…
"A matéria primal da história itabirana relaciona-se com a apropriação do território, tomado aos índios sob a sombra majestática da montanha, no distante mato-dentro, e convertida pelos colonizadores ditos ancestrais do poeta em marco de…
O DRUMMOND NOSSO DE CADA DIA – VIAGEM…
VIAGEM NA FAMÍLIA No deserto de Itabira a sombra de meu pai tomou-me pela mão. Tanto tempo perdido. Porém nada dizia. Não era dia nem noite. Suspiro? Voo de pássaro? Porém nada dizia. Longamente…
VIVEIROS DE CASTRO – Kopenawa diz que a…
"Kopenawa diz que a ideia-coisa 'ecologia' sempre fez parte de sua teoria-práxis do lugar: 'Na floresta, a ecologia somos nós, os humanos. Mas são também, tanto quanto nós, os xapiri, os animais, as árvores, os…























