OS SETE SEGREDOS DE FLORA
Capítulo 63: UMA MÁ NOTÍCIA
— O senhor acha que vão acreditar na gente, deputado?
— Me chame de Márcio, por favor, fui colega de universidade da Flora, ela én minha amiga. Não gosto de formalidades.
— Tá bom, Márcio, mas a polícia vai tomar alguma providência?
— Nossos dois depoimentos têm peso, mostrando que ela cortou ou teve cortado o contato em momentos-chave na comunicação conosco. Eu vou afiançar que ela seria uma testemunha importante na CPI e isso somado ao que você está me dizendo estar nos diários, mais a pressão política, deve levar a polícia a agir.
— Ela relata que o sujeito chegou a dar uma fechada no carro dela.
— Não me contou nada, eu teria pedido para suspender a pesquisa e buscado proteção para ela.
— Você conhece a Flora, Márcio, queria continuar a investigação, são dez anos pesquisando, ela é apaixonada pelo sertão.
— A Flora seria, ou melhor, será o grande trunfo na CPI e o dossiê vai dar manchete aqui e em jornais internacionais. O que está ocorrendo é um suicídio ambiental com enorme impacto social em benefício de uma meia-dúzia e do lucro dos acionistas espalhados pelo mundo. É um crime.
— Mas como faremos com a polícia? No momento em que conversamos a Flora pode estar nas mãos desses desgraçados.
— Vou entrar em contato com a Polícia Federal imediatamente.
— Você acha que eles são capazes de matá-la?
Ao ouvir a pergunta, Márcio Aleixo, ficou com o garfo parado no ar sem levá-lo à boca. Depositou o talher no prato e levantou o rosto para mirar Pedro. Até então ele tinha comido com uma voracidade que contrastava com a seriedade do assunto tratado. Agora, parecia ter algumas toneladas sobre os seus ombros. A voz estava mais grave e respondeu de forma lenta, sem tirar os olhos de Pedro.
— Pedro, não tenho uma boa notícia dar. Em outros estados onde a Zerdau atua sumiram três líderes camponeses, três figuras destacadas da luta ambiental contra a companhia, pessoas que estavam incomodando. Dois deles nunca mais foram encontrados. Um deles foi, mas não conseguimos provar nada. Não conseguimos que ele dissesse algo que pudesse incriminar a Zerdau.
— Como assim?
— Agora vou te explicar o porquê, se prepare…